Em pouco menos de 100 dias, cerca de 400 milhões de europeus elegerão os 751 deputados do Parlamento Europeu (PE) que validarão a nomeação do próximo Presidente da Comissão Europeia, e a sua equipa de Comissários. Um acto eleitoral da maior importância, especialmente quando tudo aponta para que estas sejam umas eleições disputadíssimas entre os cinco principais partidos europeus (populares, socialistas, liberais, verdes e ‘nova’ esquerda) e as primeiras onde a campanha se organizará em torno de linhas político-ideológicas definidas partidariamente e não só restrita a preocupações de índole nacional. Para tal, contribuiu não só as novas disposições do Tratado de Lisboa (que empodera decididamente o PE) mas essencialmente o posicionamento das principais forças políticas europeias face aos novos tratados, aproveitando os mesmos para se capacitarem politicamente e se apresentarem ao eleitorado europeu de forma organizada, programaticamente consistente e com um candidato próprio ao lugar de Barroso, consagrando o patamar europeu como a natural extensão da política nacional.
Neste sentido, como em qualquer processo nacional, os principais partidos europeus têm-se concentrado em processos de construção programática e selecção de candidatos. E sabemos já que Guy Verhofstadt, ex-PM belga, será o candidato dos liberais da ALDE; que os Verdes apresentarão o sindicalista francês José Bovée e a activista alemã Ska Keller; e que a ‘nova’ esquerda colocará à consideração o grego Alexis Tsipras. Os populares europeus deverão escolher em Dublin (no início de Março) entre o ex-PM luxemburguês Jean Claude Juncker e o francês Michel Barnier, actual comissário europeu para o Mercado interno e serviços; enquanto os socialistas aprestam-se para confirmar, a 1 de Março em Roma, o actual Presidente do PE, Martin Schultz, como o candidato à sucessão de Barroso. Ou seja, à partida estamos perante um qualificado e experiente leque de candidatos, antevendo-se um conjunto de debates que coloquem em confronto diferentes ideias e projectos para o futuro da União e, espero, suficientemente provocadores ao ponto de injectar conflito político que rompa discursos nacionalistas e permita uma escolha engajada e responsabilizadora aos cidadãos europeus.
À luz destes processos, os primeiros com forte matriz europeia, não se entende então a pressa (e pressão) demonstrada por alguns no que respeita a constituição das listas para o PE, pois apresentá-la sem legitimação do candidato-maior seria como forçar a apresentação de listas em Santarém, por exemplo, sem que candidato a PM existisse, para mais quando estamos perante eleições com elevado potencial programático, e menos personalistas portanto. Mais importante será promover um conjunto de candidatos diversificado, capazes de interagir diferenciadamente no patamar europeu, que alimentar concursos de vaidades de pequena dimensão intra-partidária. É que estas serão eleições de primeiríssima ordem, e tratá-las como tal deveria obrigar a deflectir.
(publicado no Diário Económico de 18 de Fevereiro de 2014)
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