Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Socialismo Europeu

Desde que colaboro neste jornal tenho procurado chamar a atenção para a importância actual das instituições europeias, para o poder que detêm na definição das políticas económicas e financeiras nacionais e na forma como as propostas emanadas de Bruxelas correspondem à aplicação de um discurso neo-liberal conservador assente quase exclusivamente na obsessão pelo défice, reflectido em constantes pacotes de austeridade.

 

Tenho por isso defendido que os grande combates políticos contemporâneos são hoje transnacionais. Não chega estar em São Bento, se é no ‘Berlaymont' que são tomadas as decisões em matérias de natureza económica e financeira. Neste sentido, não concordando com a política da União para estas áreas, pouco importa quem lidera os governos nacionais. Há que mudar o Governo europeu para instaurar um conjunto de políticas progressistas que procurem colocar não os mercados no centro da política, mas as pessoas.

 

Foram estas algumas das conclusões do recente Conselho do Partido Socialista Europeu (PSE), realizado este fim-de-semana em Varsóvia. A Europa necessita de abandonar o conjunto de propostas neo-liberais e não só ouvir algumas das propostas da família socialista (europeia) como implementá-las. Assim, devem os socialistas criticar politicamente a Comissão Barroso e procurar criar as condições para que em 2014 consigamos eleger uma Comissão progressista.

 

É neste sentido que deve ser entendida a proposta para um novo Plano Marshall para a Europa, sugerido por Poul Rasmussen, líder do PSE. Um plano que coloque na criação de novos postos de trabalho e no crescimento o principal foco de qualquer programa de recuperação económica europeia e que abandone a "irresponsável obsessão conservadora com a austeridade e com o Estado Social". Um plano que promova uma taxa financeira internacional com os proveitos desta a serem investidos na criação de emprego, que implemente um sistema de ‘Eurobonds' e que potencie uma coordenação económica europeia eficaz.

 

Para colocar em prática este desígnio, é necessário que os socialistas europeus apresentem um forte candidato às eleições de 2014; candidato que este Conselho decidiu que será escolhido de forma democrática e transparente, tornando-se assim o PSE no primeiro partido político europeu a instaurar um processo de primárias.

 

Estas declarações de intenções - substanciadas em propostas concretas - junto com a proposta de escolha democrática do candidato do PSE às eleições europeias de 2014, poderão finalmente recolocar os socialistas na agenda política europeia e ajudar a construir uma alternativa forte, coesa e politicamente viável. Uma alternativa que permita salvar o projecto europeu, resolver a crise económica e voltar a apresentar a União Europeia como um espaço de coesão social progressista, tolerante e inclusivo.

publicado por politicadevinil às 19:42
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