Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Passos perdido

Quinta-feira passada foi o último dia possível para que o Presidente pudesse utilizar os seus poderes de dissolução da Assembleia da República, e a tão antecipada e dramatizada data acabou por passar de forma discreta no calendário político nacional.

Neste primeiro "dia D", para Passos Coelho (o segundo será a aprovação do OE), não se assistiu a nenhum desembarque dramático ou a alguma alteração substantiva dos eventos políticos do país.

Na verdade, nada poderia ter acontecido, em parte por cobardia do líder do PSD. Se Passos Coelho verdadeiramente quisesse que fossem marcadas eleições antecipadas, deveria ter apresentado uma moção de censura no Parlamento que, a ser aprovada, significaria a demissão do Governo. Não o fez, preferindo tentar colocar esse ónus nas pessoas do Presidente da República e do primeiro-ministro, que deveriam ter tido - na opinião do presidente do PSD - a clarividência de se demitir (no caso de Sócrates) ou de dissolver o Parlamento (no caso de Cavaco Silva). Ora nem Cavaco entendeu estar em causa o regular funcionamento das instituições nem Sócrates que as condições para governar se tinham esgotado.

Apreciar este recente episódio à luz de outras recentes intervenções do líder laranja - nomeadamente a proposta de revisão da Constituição e a chantagem em torno da aprovação do OE - deixam bem claro que Pedro Passos Coelho se encontra muito mal preparado para ser tido como um sério candidato ao cargo de primeiro-ministro deste país. Pior ainda, tem demonstrado, consecutivamente, não ter equipa, estratégia ou sentido de Estado.

A proposta de revisão constitucional, prometida como um projecto de grande envolvimento e debate interno no seio da família laranja, veio a provar-se ser o trabalho de uma curta e impreparada "mesa de café". A estratégia das suas intervenções públicas e de "agenda ‘setting'" apenas obedecem a índices de popularidade e leituras das intenções de voto manifestadas nas sondagens publicadas; e as declarações sobre o OE têm demonstrado uma ânsia de poder e de falta de sentido de Estado que tem surpreendido quem se interessa pela necessidade de manter a estabilidade política em face dos desafios actuais do nosso país.

Por tudo isto Passos Coelho passa, a meu ver, por uma crise de credibilidade pública e política. Não basta, decerto já o terá entendido, querer ser primeiro-ministro, ter um ar jovial e relativamente energético para poder ser levado a sério como líder da oposição e como potencial sucessor de José Sócrates. Tem de apresentar trabalho, ideias e uma visão alternativa para o país. O que não tem feito de forma consistente. Vejamos se tem agora a coragem de chumbar o OE e de, consequentemente, apresentar uma moção de censura ao Governo, disponibilizando a Cavaco uma solução governativa por si liderada. Não o fazer apenas confirmará a cobardia e inconsequência política que tem marcado a liderança recente do PSD.

publicado por politicadevinil às 13:27
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