Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Rumo a São Bento

Quiçá motivado pelo anunciado regresso de José Sócrates aos palcos televisivos (e políticos), António José Seguro parece ter decidido desligar a máquina da neutralidade passiva que tanto tem acarinhado e enveredar por uma atitude mais agressiva e confrontadora face ao Governo (e à oposição).

Finalmente, acrescentaria, porque no estado actual do País, é imperativo que uma oposição pró-activa e prospectiva se apresente. E depois de percebermos que nem PCP nem BE ostentam ambições governativas, resta agora entender que tipo de alternativa propõe, então, o PS de Seguro.

Já tenho escrito nestas páginas que a liderança de Seguro tem sido interessante na medida em que, não se colando nem negando a "herança Sócrates", tem sabido criar uma espécie de poisio político-ideológico que lhe permite construir uma nova visão socialista ‘vis-à-vis' o próximo ciclo governativo. Assim entendi a política de neutralidade seguida pelo PS: fazer descansar terra arável para, depois, tranquilamente, semear e plantar o novo ciclo. Posto isto, ao ruidosamente anunciar a apresentação de uma moção de censura ao Governo (e depois de ter atacado violentamente o primeiro-ministro no Parlamento), Seguro anunciou ao País que está pronto a rumar a São Bento. Imediatamente e em força. Que chega de pousios e serenidade, que o País não aguenta mais, que está pronto. Mas estará?

Mantendo o estilo ‘TV Rural', pergunto que sementes terá plantado Seguro nestes últimos anos? Que novas ideias brotaram nos jardins do Largo do Rato e que novos protagonistas emergiram no Palácio Marquês da Praia? É que entendo que, depois de ter o PSD perdido o seu programa eleitoral no curto passeio de eléctrico entre a São Caetano e São Bento (e no caminho mentindo à despegada aos portugueses), não pode o PS - só por sistemicamente ser a alternativa eleitoral - pedir um cheque em branco (e uma maioria absoluta?) ao País.

Temos de saber mais sobre o projecto socialista e sobre as figuras que encabeçarão o prometido novo ciclo. Não estarmos bem informados pode implicar o advento de um novo e transfigurado conjunto de Relvas ou Gaspares (que também vão existindo no PS) ou, pior, assistir novamente a uma inversão brusca de 180 graus entre o prometido em campanha eleitoral (prestes a começar) e as práticas governativas. Daí ter recuperado, aliás, no meu último artigo, a ideia de um governo-sombra patrocinado pelos socialistas (uma ideia, a meu ver, bem condizente com a vontade de transparência e total abertura do PS de Seguro à sociedade).

Já sobre as ideias socialistas, além de não bastarem um par de ‘power points' a sistematizarem intensões gerais, não ajuda a exposição pública de esquizofrenia programática resultante do conteúdo da carta, mansa, enviada aos responsáveis da ‘troika', isto quando em diversas instituições europeias os socialistas se batem por uma alternativa às políticas liberais da comissão-Barroso. Cabe agora a Seguro aproveitar o próximo congresso socialista para desmontar estes meus argumentos e iniciar um novo ciclo, com equipa e projecto, rumo a São Bento.


José Reis Santos, Historiador

 

(publicado no Diário Económico de 26 de Março de 2013)

publicado por politicadevinil às 10:53
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