Terça-feira, 8 de Junho de 2010

Presidenciais

A direcção do Partido Socialista decidiu, finalmente, apoiar a candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República.

É uma declaração que acaba por pecar por tardia - e que permitiu a constituição de uma candidatura alternativa com o suporte de muitas figuras e algumas estruturas do PS -, pois deveria ter sido proferida logo em Janeiro, imediatamente após a apresentação da candidatura do poeta-político. Sócrates acabou assim por entender que tinha de apoiar Alegre, resignando-se ao patrocínio de uma solução afastada da sua linha política.

Claro que esta serôdia decisão só demonstra como a actual direcção socialista preparou de forma defeituosa o ‘dossier' presidencial. Era bem claro, desde 2006, que Manuel Alegre seria novamente candidato; pelo que os socialistas tiveram tempo de sobejo para encontrarem uma solução alternativa mais próxima das intenções da actual direcção. Não o fizeram, provavelmente, porque não encontraram candidato credível proveniente da área governativa que estivesse disponível para avançar para Belém; o que acaba por demonstrar que o Governo não consegue projectar a sua influência para além dos jardins de São Bento.

O apoio do PS a Alegre fecha então os candidatos à esquerda, faltando apenas o anúncio da figura ligada ao PCP. Grande parte do PS e Bloco apoiam Manuel Alegre, o PCP apresentará candidato próprio e uma pequena parte do PS apoia Fernando Nobre. Resta, nesta altura, saber qual a composição à direita.

No início do ano, Cavaco era o candidato natural e recebia unanimemente o apoio sentido de toda a área à esquerda do PS. Hoje, curiosamente, o Presidente em exercício tem vindo a perder apoios: Manuela Ferreira Leite já não é líder do PSD; e algumas das suas recentes decisões - nomeadamente as relacionadas com a validação do aumento de impostos por parte do Governo e com a ratificação da Lei do casamento entre pessoas do mesmo género - têm alienado parte da direita liberal e da direita conservadora. Em termos práticos, isto significa que as actuais direcções do PSD e do CDS não se encontrem totalmente satisfeitas com a actuação presidencial; e se Passos Coelho não tem margem para promover outro candidato, já Paulo Portas se tem desdobrado em louvores a Bagão Félix, procurando neste ex-ministro uma solução alternativa.

Assim, nas próximas eleições presidenciais os dois principais partidos políticos irão apoiar candidatos desfasados politicamente das suas direcções nacionais, promovendo desta forma uma campanha eleitoral táctica e sem alma.

A contenda de septuagenários marcada para Janeiro de 2011 (Cavaco e Alegre nasceram ambos na década de 30), evidencia assim a existência de um divórcio entre a Chefia do Estado e o sistema partidário, que não consegue promover candidatos próprios nem produzir novos protagonistas com perfil presidencial; o que curiosamente encaixa em pleno no nosso desenho institucional: aos Partidos o Governo, aos cidadãos individuais a Presidência.

 

publicado por politicadevinil às 15:31
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