Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013

TINA

“There is no alternative” (TINA) é a ideia-síntese do actual discurso liberal europeu, cujo propósito é tornar inevitável o desmantelamento do Estado Social e implementar modelos teóricos (ultra) liberais que entendem que as sociedades humanas se devem organizar em Estados ‘Low Cost’ de soberania relativa, deixando aos privados, aos mercados internacionais e às suas elites oligarcas a definição e gestão do bem-estar colectivo. Esta ideia, repetida à exaustão e fortemente apoiada pelos canais comunicativos controlados pelos grandes conglomerados económicos, domina totalmente a narrativa institucional europeia, e serve de base legitimadora para as pretensões do governo português em refundar o Estado (e a República), procurando reduzi-lo, ao que parece, apenas às funções de segurança e representação externa. É ainda esta ‘TINA’ que tem justificado a necessidade divina de manter o rumo suicidário da austeridade portuguesa, agora homenageada num OE moralmente ilegal e eleitoralmente nulo que consagra na essência a precariedade e a miséria social como o centro das políticas governativas. Mas será que não existem alternativas? Claro que existem, várias, quer ao nível nacional como no patamar europeu.

Em primeiro lugar talvez fosse conveniente entender o quanto antes de que a política actual não se restringe ao que se passa nas ruas e nos edifícios institucionais de São Bento. Neste sentido, apesar da importância decisiva da intervenção governativa no espaço nacional e da necessidade em mudar o quanto antes o Governo, a verdade é que o acto eleitoral decisivo para alterar a direcção desta Europa será 2014, quando todos elegeremos o novo líder da Comissão Europeia e o Parlamento Europeu. Depois talvez fosse ainda mais essencial entendermos muito bem a natureza da nossa dívida pública, sabermos o que estamos a pagar, a quem e porquê. E estranha que o trabalho da auditoria cidadã à dívida (portuguesa) sofra de parco apoio político-partidário e de pouca atenção mediática. Finalmente, também seria importante desmontar o discurso da falta de alternativas às soluções da coligação PSD-CDS (e da Comissão-Barroso), bastando para tal consultar os sites do PS ou do PSE para sermos confrontados com diversas propostas concretas e de aplicação imediata.  

Despida a TINA, tem faltado no patamar nacional a construção de um consenso político-partidário (e social) alargado que permita a substituição do XIX Governo, razão que talvez justifique a não intervenção de Cavaco. E a julgar pelas recentes intervenções do espaço político à esquerda do PS, a alternativa governativa passa cada vez mais por um governo maioritário liderado pelos socialistas ou por uma futura coligação PS-CDS, cenários que pouco contribuirão para a alteração do paradigma governativo. Assim, e infelizmente, resta-nos menosprezar (em certa medida) a politiquice nacional e concentrarmo-nos na promoção de uma coligação progressista europeia que consiga, em 2014, eleger um Presidente da Comissão que definitivamente mande esta TINA às malvas. 

 

(artigo publicado a 4 de Dezembro de 2012)

publicado por politicadevinil às 15:46
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Abril 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


.posts recentes

. Damnatio memoriae

. Liberais traídos

. Um acto de primeiríssima ...

. Circuito fechado

. Eunucos sem pio

. Olá ò vida malvada

. Madiba e as vacas sagrada...

. Ser LIVRE

. O senhor que se segue

. A importância de um candi...

.arquivos

. Abril 2014

. Janeiro 2014

. Maio 2013

. Abril 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Outubro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Abril 2010

. Março 2010

blogs SAPO

.subscrever feeds