Terça-feira, 9 de Outubro de 2012

Rua, já!

Provocando um autêntico “efeito-scolari”, o Primeiro-ministro conseguiu a proeza de unir Portugal num unânime movimento pré-revolucionário, que grita a uma voz: “chega”! Agora, enquanto se espera por mais reacções institucionais (CDS e Presidência), exigem as regras da boa educação cívica e política, da vida pacífica das democracias consolidadas, que o senhor Primeiro-ministro, por livre iniciativa, peça imediatamente dispensas públicas pelo ridículo das suas recentes declarações e se exponha abertamente à humilhação e ao escárnio popular. E que depois diga que afinal está cansado, que governar em prol do Povo é desgastante, e que vai imediatamente regressar à sua actividade liberal num par de empresas de amigos, ao canto coral numa Paróquia pouco carente ou pedir uma cunha ao Crato para se reciclar num curso profissional que não seja intelectualmente exigente. Na realidade, que faça o que bem entender, mas que deixe rapidamente a governação do país a alguém de (alguma) competência. E que leve consigo, pelo menos, o menino Relvas e o ‘Padre’ Gaspar.  

Passos conseguiu provar que, apesar de todos os processos de institucionalização dos sistemas políticos contemporâneos, apesar da construção Europeia ter introduzido (não democraticamente, diga-se) os pilares da tecnocracia governamental, quando a vida das pessoas é atacada pela incompetência dos seus governantes, pela tirania e má fé de quem as lidera, elas reagem. E reagem virilmente. Mais, conseguiu ainda demonstrar que a sociedade civil e politico-partidária portuguesa – da esquerda à direita - se consegue unir em torno de uma causa comum (que não Timor-Leste), partilhando da ideia de que Portugal é (ainda) um pais com direito de existir e que, apesar da consecutiva degradação e desnivelamento da nossa elite politica, existe um limite para a incapacidade governamental, limite agora alcançado.   

Ou seja, atingimos o ponto de ruptura, de não-retorno. Já não dá para continuar com este senhor a dar a cara pelo governo de Portugal. Resta esperar que o senhor Presidente da República também entenda isso, assim como o líder do partido parceiro de coligação governamental (co-responsável mudo desta infeliz mise-en-scéne). E que ambos entendam o que toda a oposição, o que toda a sociedade civil, o que toda a opinião pública e publicada, o que todos os portugueses já perceberam: Passos, Rua, já!!!

(este texto foi escrito antes das intervenções de António José Seguro e Passos Coelho)

publicado por politicadevinil às 13:12
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