Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Futuro Seguro

Em Braga, AJS deixou claro que encara o futuro com tranquilidade. Apontou 2015 como data para o confronto eleitoral com o governo, e 2013 (eleições autárquicas) como momento de afirmação do “novo” PS.

Dois anos para renovar o partido, os seus protagonistas, o seu pensamento e plano de acção política. Curiosamente não destacou as eleições europeias de 2014, essas sim decisivas para alterar o rumo das políticas de austeridade hoje em voga em todo o espaço europeu.

De alguma forma, e até porque tem sido esse o discurso, as expectativas sobre o "novo" PS são bastante elevadas. E Seguro - bem ciente do estado do partido -, sabe que José Sócrates lhe deixou um PS intelectualmente amorfo, inerte e alheado das novas dinâmicas sociais e que compete à nova liderança socialista, com alguma urgência, (re)conectar-se com as novas tendências sociais e políticas e demonstrar que esta elevada expectativa tem sustento e futuro.

Para ser efectivo nesta tarefa, e em minha opinião, o PS deverá em primeiro lugar promover uma leitura crítica dos seus anos de governação, identificando os contributos positivos e denunciando as más praticas perpetradas. Depois deve promover o refrescamento do seu pensamento político, inserindo-se no debate europeu sobre o futuro da esquerda, utilizando para o efeito o muito badalado "Laboratório de Ideias" (que deverá conseguir atrair académicos, sociedade civil e PS para uma reflexão madura, livre e construtiva). Finalmente, os socialistas deverão regressar à sociedade civil, à rua, ao combate social, entendendo em primeiro lugar as motivações e características dos "novos movimentos sociais" (dos quais se alheou no passado), para depois com eles trabalhar em conjunto, não numa relação hierárquica mas como parceiro igual.

A iconografia utilizada no congresso de Braga (o regresso ao punho fechado e às cores vermelhas vivas, o abandono da "rosa de Guterres" e do "azul institucional de Sócrates") indicia que Seguro identifica como prioritário libertar o PS da marca governamental, ministerial, construída nos últimos anos, para apresentar uma imagem "basista" em sintonia com a história e tradição socialista. Tal atitude, inteligente, tem como objectivo não só desassociar o "novo" PS do de José Sócrates, mas essencialmente legitimar as ambições da nova direcção socialista em reinventar o partido. E neste sentido, apenas os mais desatentos não terão entendido que, apesar de já "falar aos portugueses", Seguro ainda se dirige essencialmente aos militantes socialistas. E a eles - e ao país - pediu tempo. Tempo para arrumar e remodelar a casa.

De antemão AJS sabe que o "tempo do futuro" corre a seu lado, pois este governo rapidamente delapidou as esperanças nele depositadas e perdeu a oportunidade de se diferenciar do passado recente. Desta forma, conscientemente apresentou-se em Braga "rumo ao Futuro". Resta agora, com exigência crítica, esperar pela construção do "novo" PS. 

publicado por politicadevinil às 19:27
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