Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Portugal 2011

Em Portugal, a primeira década do século XXI foi marcada pela “tanga” de Barroso (tanga entretanto actualizada em versão europeia), e pelo progressismo social do governo de José Sócrates.

Com Barroso o país voltou a ter a oportunidade de recordar como a direita governa: sem ideias, sem dimensão social e sem perspectivas para o país; sendo a fuga de Barroso bem elucidativa de como os "laranjas" tratam dos assuntos de Estado: fugindo dos mesmos quando se lhes é apresentada uma melhor oportunidade de progredirem na sua carreira pessoal.

Já os governos Sócrates, mesmo mergulhados na maior crise económica e financeira dos últimos 70 anos e obrigados "contratualmente" a seguirem políticas neo-liberais de Bruxelas, recolocaram Portugal no caminho da modernização, com um bem desenhado plano tecnológico, alicerçado num conjunto de políticas sociais de clara marca progressista (de onde destacamos as políticas de Igualdade). Naturalmente que nem em todas as áreas a intervenção socialista foi bem sucedida; mas é bem evidente que Portugal dá, hoje, exemplos ao mundo em sectores como a investigação científica ou as energias renováveis, por exemplo. Talvez a maior crítica a Sócrates seja a de não ter conseguido encontrar alternativas progressistas nas áreas económicas e financeiras, e de ter apenas seguido as directrizes neo-liberais produzidas no ‘Berlaymont'.

Em todo o caso é importante sabermos as diferenças existentes entre um governo de direita e um de esquerda nestes tempos de incerteza e crise. A direita deixará sempre os mais desprotegidos para último plano, aumentando o fosso entre os mais ricos e mais pobres. Já a esquerda, mesmo seguindo as directrizes condicionadoras de Bruxelas, procurará sempre manter um conjunto de preocupações sociais de matriz progressista, não abandonando os mais desfavorecidos.

Julgo ser importante termos em consideração estas diferenças, numa altura em que nos preparamos para eleger o próximo Presidente da República. Portugal está numa situação política difícil, governado em minoria, onde o titular presidencial pode e deve ter um papel importante no equilíbrio do sistema político. Cavaco perdeu a oportunidade de intervir qualitativamente quando se recusou a opinar enquanto economista, preferindo potenciar uma estratégia de "estabilidade institucional" que tem dado péssimos resultados (visíveis no clima de crispação política latente no país). Já eleger Alegre significará promover uma visão mais cultural e solidária do sistema político, num momento de necessidade de valores humanistas.

São estas duas visões de Portugal que estarão em disputa logo no primeiro mês do novo ano, e da sua escolha muito se decidirá sobre a próxima década do nosso país. Teremos, então, de decidir se desejamos um Portugal mais solidário e humanista ou manter um presidente tecnocrata e pós-salazarista. A escolha, para mim, parece-me clara.
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publicado por politicadevinil às 14:02
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Portugal 2011

In Portugal, the first decade of this century was marked by the Barroso 'thong' discourse (thong later updated to a European version), and the social progressive policies of the government of José Sócrates. With Barroso at the helm, the country once again had the opportunity to remember how right wing rules: no ideas, no social policies and no prospects for the country; and Barroso’s escape to Brussels also provided interesting information on how the conservatives deal with State’s affairs, running away when there are presented with a better career opportunity.

The Socrates government, although submerged in the biggest financial and economic crisis in the last 70 years and ‘contractually’ forced to follow the neo-liberal policies of Brussels, set Portugal onto modernization path, with a well-designed Technology Plan, founded on a set of socially progressive policies (with special emphasis placed on equality framework). Although not all the areas in the socialist intervention were a success, it is now quite evident that Portugal sets an example to the world in sectors such as scientific research and renewable energies. Perhaps the biggest criticism of Socrates is that he has not  been able to find alternative  policies in the economic and financial areas, having mainly followed the guidelines produced by the neo-liberal 'Berlaymont'.

In any case it is important to know the differences between a right and left wing government in these times of uncertainty and crisis. The right wing always forgets the most vulnerable and always increases the gap between the richest and poorest. The left, although following the same conditioned Brussels guidelines, seek to maintain a whole array of social concerns progressive, not abandoning the poor.

I think it is of grave importance to consider these differences, in a time when we prepare to elect the next president. Portugal is in a difficult political situation, as it is ruled by a minority government, where the president can and should play an important role in balancing the political system. Cavaco has lost the opportunity to speak qualitatively when he refused to state his opinion as an economist, preferring to promote a strategy of "institutional stability”, which has given poor results. Electing Alegre (the left wing candidate) will mean to promote a more cultural and humanistic view of the political system, at a time of need for those set of values.

Those are the two visions of Portugal that will be in dispute in the first month of the new year and much of this choice will decide how the next decade will be. We will then have to decide if we want a more caring and humanist president or maintain a technocrat post-Salazar one. The choice for me seems clear.

 

publicado por politicadevinil às 13:43
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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010

Socialismo Europeu

Desde que colaboro neste jornal tenho procurado chamar a atenção para a importância actual das instituições europeias, para o poder que detêm na definição das políticas económicas e financeiras nacionais e na forma como as propostas emanadas de Bruxelas correspondem à aplicação de um discurso neo-liberal conservador assente quase exclusivamente na obsessão pelo défice, reflectido em constantes pacotes de austeridade.

 

Tenho por isso defendido que os grande combates políticos contemporâneos são hoje transnacionais. Não chega estar em São Bento, se é no ‘Berlaymont' que são tomadas as decisões em matérias de natureza económica e financeira. Neste sentido, não concordando com a política da União para estas áreas, pouco importa quem lidera os governos nacionais. Há que mudar o Governo europeu para instaurar um conjunto de políticas progressistas que procurem colocar não os mercados no centro da política, mas as pessoas.

 

Foram estas algumas das conclusões do recente Conselho do Partido Socialista Europeu (PSE), realizado este fim-de-semana em Varsóvia. A Europa necessita de abandonar o conjunto de propostas neo-liberais e não só ouvir algumas das propostas da família socialista (europeia) como implementá-las. Assim, devem os socialistas criticar politicamente a Comissão Barroso e procurar criar as condições para que em 2014 consigamos eleger uma Comissão progressista.

 

É neste sentido que deve ser entendida a proposta para um novo Plano Marshall para a Europa, sugerido por Poul Rasmussen, líder do PSE. Um plano que coloque na criação de novos postos de trabalho e no crescimento o principal foco de qualquer programa de recuperação económica europeia e que abandone a "irresponsável obsessão conservadora com a austeridade e com o Estado Social". Um plano que promova uma taxa financeira internacional com os proveitos desta a serem investidos na criação de emprego, que implemente um sistema de ‘Eurobonds' e que potencie uma coordenação económica europeia eficaz.

 

Para colocar em prática este desígnio, é necessário que os socialistas europeus apresentem um forte candidato às eleições de 2014; candidato que este Conselho decidiu que será escolhido de forma democrática e transparente, tornando-se assim o PSE no primeiro partido político europeu a instaurar um processo de primárias.

 

Estas declarações de intenções - substanciadas em propostas concretas - junto com a proposta de escolha democrática do candidato do PSE às eleições europeias de 2014, poderão finalmente recolocar os socialistas na agenda política europeia e ajudar a construir uma alternativa forte, coesa e politicamente viável. Uma alternativa que permita salvar o projecto europeu, resolver a crise económica e voltar a apresentar a União Europeia como um espaço de coesão social progressista, tolerante e inclusivo.

publicado por politicadevinil às 19:42
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European Socialism

Since I write for this paper I have sought to draw attention to the importance of existing European institutions, for the power they have in the definition of national economic and financial policies and how the proposals emanating from Brussels are based on a neo-liberal conservative discourse exclusively deficit obsessed, reflected in constant austerity packages.

 

I have therefore argued that the major contemporary political battles today are transnational. It’s not enough to be in São Bento, if it's in the 'Berlaymont' that economic and financial decisions are taken. In this sense it doesn’t matter who leads the national governments. If we not agree with the European Union's policy for these areas, we have to change the European government; and establish a set of progressive policies that seek not to put the markets at the center of politics, but the people.

 

These were some of the conclusions of the recent Council of the Party of European Socialists (PES), held this weekend in Warsaw. Europe needs to abandoned the set of neo-liberal proposals and hear some of the proposals of the socialist family. Thus, the Socialists should politically criticize the Barroso Commission and seek to create conditions so that in 2014 we are able to elect a progressive Commission.

 

It is in this sense must be understood the proposal for a new ‘Marshall Plan’ for Europe, suggested by Poul Rasmussen, leader of the PES. A plan that puts on the creation of new jobs and growth the primary focus of any European economic recovery program and abandon the "irresponsible conservative obsession with the austerity and the Welfare State." A plan that promotes an international financial tax, which implements a system for 'Eurobond' and potentiate an effective European economic coordination.

 

To put this plan into practice, it is necessary that the European socialists have a strong candidate in the 2014 elections; and this Council decided that this candidate would be chosen in a democratic and transparent process, thus becoming the PES the first European political party to establish a primary process.

 

These statements of intent - substantiated in concrete proposals - along with the proposed candidate for the democratic choice of PSE for the European elections of 2014, may finally push the Socialists European political agenda and help to build a strong, cohesive and politically viable alternative. An alternative that will save the European project, solve the economic crisis and re-submit the EU as an area of social cohesion progressive, tolerance and inclusiveness.

publicado por politicadevinil às 19:41
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