Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Um país que se adia

No próximo dia 5 de Outubro comemora-se o centenário da implementação da I República, data em que em Portugal se instaurava um regime progressista, civilista e democrático; pelo menos nas intenções.

Era apenas o terceiro país europeu sem monarca na Chefia do Estado, secundado pela República Francesa e pela Confederação Helvética.

O regime republicano, implementado em Lisboa e comunicado telegraficamente ao resto do país, procurou rapidamente deixar uma clara marca de progresso, criando o Registo Civil, promulgando a Lei do Divórcio e da Separação entre o Estado e a Igreja (laicizando o Estado português) e lançando as bases da Escola Pública. Este ímpeto reformista, produto da acção política de figuras como Afonso Costa, Bernardino Machado ou António José de Almeida colocava Portugal claramente na linha da frente dos países juridicamente progressistas.

Infelizmente, o que foi o trabalho honesto e altruísta de parte de uma elite política não teve o enquadramento constitucional necessário que permitisse ao novo regime alargar o seu apoio social para além da burguesia lisboeta. De facto, a I República portuguesa nunca institucionalizou as premissas democráticas que tanto apregoara durante os últimos anos da Monarquia Constitucional; não conseguindo por isso romper com bloqueio conservador de uma sociedade portuguesa demasiado agarrada à saia do Clero e à subserviência da Casa Real ou aceder às reivindicações de classe do operariado urbano.

A leitura de que o país real não partilhava do progressismo da elite lisboeta impediu que constitucionalmente se consagrasse um sistema democrático e plural, com sufrágio universal ou muito alargado. A falta de cultura política por parte da classe partidária, que procurava dominar e não partilhar os corredores do Poder, encurralou os promotores da Revolução de Outubro entre o conservador país profundo e as radicais massas populares urbanas. E o sistema partidário nunca conseguiu colocar o interesse nacional acima dos interesses particulares; contribuindo assim para o clima de confronto, experimentalismo institucional e falta de estabilidade política que foram a tónica dos 16 anos da primeira experiência republicana em Portugal.

Hoje, ao assistirmos ao triste espectáculo que os principais actores da III República têm recentemente plasmado na praça pública, verificamos que pouco evoluímos, politicamente, neste último século. Continuamos a tudo particularizar, a menosprezar o interesse nacional em detrimento de vontades partidárias, em favorecer amigos e compinchas e, mais importante, continuamos a não ter conseguido desenvolver um caldo político cultural onde a Ética, a Meritocracia e a Boa Governança altruísta prevaleçam. O que leva a que 100 anos depois de uma revolução que queria retirar o país do subdesenvolvimento político e social, Portugal continue a ser um pais adiado.

publicado por politicadevinil às 13:38
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Sábado, 18 de Setembro de 2010

This Europe of us...

I had the intention, this weekend, to go to Belgrade. Everything was already planned, until a detailed failed: I could not rent a car to Serbia. Apparently, rent-a-cars companies have some concerns renting automobiles traveling the European area, for fear of the ‘barbarians’ who live outside the peaceful and civilized Union can do to the propriety of large multinational automotive industry.

I felt for the first time, what is to be a European citizen and have differentiated rights of my other fellow Europeans. I felt bad, of course. With so many examples of barbarity in the inner space of the Union, and with so many other examples of civility in the 'barbarian world', why should we, 'Europeans- citizen' to be placed on moral pedestals when often we give example of the reverse?

It seems there is fear of what the Serbs - these ‘barbarians’ - may do to our car, but if you want to rent the same car and park in the outskirts of civilized Sarkosy France, there is little fear; and to be honest I would probably feel more safe (myself and ‘my car’) in the streets of Belgrade than in the suburbs of Paris…

Recently I've had the opportunity to be in Serbia, and also in France, and let me tell you that I found few differences among these countries. I admit I initially thought that the Serbs could be still lacking some post-modern culture and sense of modernity (in various levels), but I soon realize that they are fully integrated in the cultural and political European reality.

In this sense, I can only appreciate that the distrust they still deserve is generated by what happened at Milosevic time. Now, Serbia today is a very different country. In every aspects. They strongly departed from the recent past and manage to build a stable and prosper democracy. And not only almost one decade passed since the war as most of the perpetrators are arrested and tried by international courts. In this sense, Serbia is an exemplary country to follow and support. Just think that Portugal, for example, never had the same misgivings by the international community when we abandoned an authoritarian regime with fascist characteristics that promoted a savage colonial war in the 60’s and 70’s.

Now, I understand that hypocrisy in international relations is often used to disguise the strategic interests of major system players. What they do not understand is how this Europe of ours has not yet abounded the prejudice it has for some of our close neighbors; who are as ‘civilized’ as us (or even more). And we spend so much time and energy trying to show everybody how ‘cool’ and ‘advanced’ our Union to everybody (when we are not), while trying to block this or that country to enter our ‘civilized club’ due to his ‘barbarian practices’; that indeed we fail to understand that some of this ‘barbarian’ are in fact quite civilized, starting with the Serbs…

 

publicado por politicadevinil às 17:00
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Lost 'Passos'

Last Thursday was the last possible day for the Portuguese President could use his powers to dissolve the Parliament, and the much anticipated and dramatized date (by the PSD – ‘liberal/popular’ right wing party) passed discreetly in the national political calendar.

Thus this first ‘D-Day’ (the second is the approval of the State Budget, in October), did not witness any dramatic landing or any substantive change in the political events of our country.

In fact, nothing could have happened, in part because of the cowardly leader of the PSD, Pedro Passos Coelho. If he truly wanted early elections, he should have submitted a censure motion in the Parliament, which, if approved, would mean the resignation of the government. He did not did it, preferring to try to put that burden on the President of the Republic and on the Prime Minister, who should have - in the opinion of the President of PSD - resign (in the case of Socrates) or dissolve the Parliament (in the case of Cavaco Silva). Yet neither Cavaco considered that the proper functioning of the institutions of the Portuguese Republic where at risk; nor Socrates that the conditions to govern had expired.

Seeing this latest episode in the light of other recent operations of the leader of PSD - including the proposed revision of the Constitution and blackmail surrounding the adoption of OE - makes clear that Pedro Passos Coelho is very ill-prepared to be taken as a serious candidate for office of prime minister of this country. Worse yet, has shown consecutively, not to have a team, a strategy or a sense of statesmanship.

The proposed constitutional amendment, promised as a project of great internal debate and involvement in the ‘liberal / popular family, came to prove to be the work of a short and unprepared ‘coffee table’. The strategy of his public interventions and agenda setting just obey popularity ratings and voting intentions expressed in the published polls; and the public statements about the OE have demonstrated a desire for power and lack of statesmanship that has surprised anyone interested in maintain political stability in Portugal, in the face of current economic challenges of our country.

For all this Passos Coelho goes trough, in my view, a serious crisis of credibility. He should have realize by now that is not enough to want to be prime minister and to have a jovial and energetic attitude to be taken seriously as an opposition leader and as a potential successor to Jose Socrates. He should also present political work, ideas and an alternative vision for the country. What, until now, has not been done consistently. Let's see if now is the courage to pluck the State Budget and consequently submit a motion of censure on the Government (providing after a governing solution lead by himself to Cavaco Silva). Not doing so will only confirm the cowardice and political inconsistency that has marked the recent leadership of the PSD.

 

publicado por politicadevinil às 16:41
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Coisas desta nossa Europa

Tinha a intenção, este fim de semana, de ir a Belgrado. Tudo já estava planeado, até que um pormenor falhou: não consegui alugar carro para me deslocar à Servia. Aparentemente, não se alugam carros que ultrapassem o espaço europeu, por medo do que os bárbaros que habitam fora da pacifica e civilizada União possam fazer à propriedade automobilística das grandes multinacionais do ramo.

Senti, pela primeira vez, o que é ser cidadão-europeu e ter direitos diferenciados dos meus outros compatriotas europeus. Senti-me mal, naturalmente. Com tantos exemplos de barbaridade no espaço interno da União, e com tantos outros de civilidade na 'barbárie', porque teremos nós, 'cidadãos-europeus' de sermos colocados em pedestais morais quando frequentemente damos o exemplo do inverso?

Parece que há medo do que os sérvios - esses bárbaros - possam fazer ao nosso carro; mas se quiser alugar a mesma viatura e a estacionar num dos subúrbios dessa civilizada frança sarkosiana, já pouco receio existe. Eu já tive a oportunidade de estar na Sérvia, e também em França, e deixem-me vos dizer que poucas diferenças - culturais - encontrei entre os países. Admito que inicialmente julgava que aos sérvios ainda lhes faltasse alguma cultura pós-moderna e sentido de modernidade (a vários níveis), mas depois de os ter conhecido melhor encontrei-os totalmente enquadrados na realidade política e cultural europeia. Neste sentido, só posso apreciar a desconfiança que merecem pelas leituras produzidas sobre o que se passou na época de Milosevic. Ora a Servia hoje é um país bem diferente. Em todos os aspectos. Soube se afastar desse passado recente e construir uma democracia estabilizada que faz o país progredir. E não só já passou quase uma década em relação à Guerra como grande parte dos seus responsáveis encontram-se detidos e julgados por tribunais internacionais. Neste sentido, é um país a seguir o exemplo; e basta pensar que Portugal, por exemplo, nunca sofreu das mesmas desconfianças por parte da comunidade internacional quando abandonou um regime autoritário de características fascistas que promoveu uma bárbara guerra colonial.

Entendo que nas Relações Internacionais a hipocrisia seja frequentemente utilizada para disfarçar interesses estratégicos dos grandes actores do sistema. O que não entendo é como esta nossa Europa ainda não conseguiu sair do preconceito que tem em relação a alguns dos seus vizinhos próximos, a começar pelo sérvios, esses nossos irmãos europeus.

publicado por politicadevinil às 17:08
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Passos perdido

Quinta-feira passada foi o último dia possível para que o Presidente pudesse utilizar os seus poderes de dissolução da Assembleia da República, e a tão antecipada e dramatizada data acabou por passar de forma discreta no calendário político nacional.

Neste primeiro "dia D", para Passos Coelho (o segundo será a aprovação do OE), não se assistiu a nenhum desembarque dramático ou a alguma alteração substantiva dos eventos políticos do país.

Na verdade, nada poderia ter acontecido, em parte por cobardia do líder do PSD. Se Passos Coelho verdadeiramente quisesse que fossem marcadas eleições antecipadas, deveria ter apresentado uma moção de censura no Parlamento que, a ser aprovada, significaria a demissão do Governo. Não o fez, preferindo tentar colocar esse ónus nas pessoas do Presidente da República e do primeiro-ministro, que deveriam ter tido - na opinião do presidente do PSD - a clarividência de se demitir (no caso de Sócrates) ou de dissolver o Parlamento (no caso de Cavaco Silva). Ora nem Cavaco entendeu estar em causa o regular funcionamento das instituições nem Sócrates que as condições para governar se tinham esgotado.

Apreciar este recente episódio à luz de outras recentes intervenções do líder laranja - nomeadamente a proposta de revisão da Constituição e a chantagem em torno da aprovação do OE - deixam bem claro que Pedro Passos Coelho se encontra muito mal preparado para ser tido como um sério candidato ao cargo de primeiro-ministro deste país. Pior ainda, tem demonstrado, consecutivamente, não ter equipa, estratégia ou sentido de Estado.

A proposta de revisão constitucional, prometida como um projecto de grande envolvimento e debate interno no seio da família laranja, veio a provar-se ser o trabalho de uma curta e impreparada "mesa de café". A estratégia das suas intervenções públicas e de "agenda ‘setting'" apenas obedecem a índices de popularidade e leituras das intenções de voto manifestadas nas sondagens publicadas; e as declarações sobre o OE têm demonstrado uma ânsia de poder e de falta de sentido de Estado que tem surpreendido quem se interessa pela necessidade de manter a estabilidade política em face dos desafios actuais do nosso país.

Por tudo isto Passos Coelho passa, a meu ver, por uma crise de credibilidade pública e política. Não basta, decerto já o terá entendido, querer ser primeiro-ministro, ter um ar jovial e relativamente energético para poder ser levado a sério como líder da oposição e como potencial sucessor de José Sócrates. Tem de apresentar trabalho, ideias e uma visão alternativa para o país. O que não tem feito de forma consistente. Vejamos se tem agora a coragem de chumbar o OE e de, consequentemente, apresentar uma moção de censura ao Governo, disponibilizando a Cavaco uma solução governativa por si liderada. Não o fazer apenas confirmará a cobardia e inconsequência política que tem marcado a liderança recente do PSD.

publicado por politicadevinil às 13:27
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Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

Mais um exemplo das políticas progressistas deste Governo

Comunicado do Conselho de Ministros de 2 de Setembro de 2010

 

 

4. Proposta de Lei que regula o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil e procede à alteração do Código do Registo Civil.

Esta Proposta de Lei, a enviar à Assembleia da República, visa simplificar o procedimento de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil para as pessoas a quem clinicamente tenha sido diagnosticada uma mudança da identidade de género (transexualidade).

Este novo procedimento justifica-se pelo facto de a complexa solução actual para estes casos, que exige uma intervenção judicial, não ser a mais adequada, por razões de justiça e por este ser o caminho mais seguido a nível europeu.

Em primeiro lugar, não faz sentido que as pessoas que queiram proceder a uma mudança de sexo e de nome próprio no registo civil tenham que propor uma acção em tribunal, que é o que sucede hoje em dia. Na verdade, nestas acções judiciais, o tribunal praticamente se limita a reconhecer os relatórios clínicos e a confirmar por sentença um diagnóstico científico. Desta forma, não se justifica obrigar as pessoas interessadas a propor acções em tribunal com os custos inerentes de tempo e dinheiro, bem como pelo desgaste psicológico envolvido.

O procedimento criado através da presente Proposta de Lei visa, portanto, permitir que as pessoas a quem foi diagnosticada uma mudança de identidade de género possam alterar o seu sexo e o seu nome próprio no registo civil, sem necessidade de propor uma acção judicial.

Em segundo lugar, a solução adoptada pela presente Proposta de Lei é a que mais favorece uma plena integração social às pessoas a quem tenha sido clinicamente diagnosticada uma mudança de identidade de género.

Finalmente, deve referir-se que esta solução já vigora em diversos países, como a Alemanha, a Espanha, a Itália, o Reino Unido e a Suíça. Na verdade, há mais de 20 anos que vigora a legislação alemã, suíça e italiana sobre a mudança de identidade de género. E também há já mais de 20 anos que o Conselho da Europa recomendou aos Estados-membros o reconhecimento legal desta situação.

O procedimento consagrado na presente Proposta de Lei permite que as pessoas a quem tenha sido clinicamente diagnosticada uma mudança de identidade de género possam requerer, em qualquer conservatória do registo civil, a alteração do sexo e do nome próprio, bastando apresentar um relatório elaborado por equipa clínica multidisciplinar de sexologia clínica que comprove o respectivo diagnóstico. O conservador deve decidir sobre o pedido apresentado no prazo de oito dias.

Este regime proposto dá expressão ao compromisso do Governo de “combater todas as discriminações e, em particular, a envidar todos os esforços no sentido de proporcionar a todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual e identidade de género, o pleno usufruto dos direitos constitucionais. Com este passo, acreditamos contribuir para uma sociedade mais justa, estruturada no respeito pelos direitos fundamentais, pela democracia e pelo valor da inclusão de todas as pessoas”.

 


publicado por politicadevinil às 18:16
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Telefone Vermelho

A época estival que agora finda foi marcada, politicamente, pelo agudizar das relações entre os dois maiores partidos portugueses que, em sucessivas declarações públicas, procuraram condicionar e marcar o ritmo da rentrée política, simulando uma situação de conflito eminente.

O OE é apresentado como a causa próxima da refrega; mas verdadeiramente o que está em causa é a liderança da agenda política para os próximos - e decisivos - meses.

Neste jogo entre Passos Coelho e Sócrates ambos os protagonistas apostam que o outro recuará nas suas exigências, cedendo desta forma o desejado ‘high ground' político. Se ambos não abdicarem das suas posições isso significará que o OE será rejeitado - e o pais gerido por duodécimos -; e que, até o próximo verão, os mecanismos para clarificar a actual situação política passariam a passar somente pelo Parlamento, onde poderia o governo apresentar uma moção de confiança ou o PSD uma moção de censura, impossibilitada que está a opção de eleições antecipada.

Os cenários pós-rejeição do OE são interessantes para politólogos e ‘opinion makers', que se entretêm a explorar as possibilidades do sistema politico-constitucional português. Transformariam a dinâmica das eleições presidências, obrigando os candidatos a se pronunciarem sobre o comportamento dos Partidos Políticos e o Presidente - também candidato - a ter se sair do seu refugio institucional e a intervir activamente na vida politica; mas teriam consequências nefastas para o pais, sujeito que está ao escrutínio atento da comunidade financeira internacional.

Ora a verdade é que - no que respeita às questões orçamentais - o Governo tem cumprido com as suas obrigações: acedeu aos desejos de Bruxelas para implementar dois PEC (ambos com o apoio expresso do PSD), e agora prepara-se para apresentar o OE em conformidade com o plano estabelecido com a Comissão Europeia. Neste sentido, a não ser que Sócrates queira denunciar o ‘bluff' de Passos Coelho, não tem o PS a necessidade de apresentar uma moção de confiança. Já o PSD, que - repetimos - aceitou os PEC e comprometeu-se a dar a necessária estabilidade ao Governo até 2011 -, tem agora de rejeitar o OE caso o PS não ceda às suas exigências; e, de seguida, se quiser ser consequente, deve apresentar uma moção de confiança ao Governo, apresentando-se a Cavaco como alternativa governamental. É bem evidente que Passos Coelho está a tudo disposto para ser primeiro-ministro, mas terá para isso que jogar arbitrariamente com o futuro do pais?

Todos nos recordamos que a solução para a crise dos mísseis de Cuba passou pela instalação - em Washington e em Moscovo - de um telefone vermelho para que os lideres do mundo pudessem resolver directamente futuras situações de conflito. Sócrates e Passos conhecem-se e tem o contacto um do outro. Não poderão telefonar-se e resolverem a intricada situação em que nos encontramos? Para bem do pais?

 

publicado por politicadevinil às 14:49
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Red Phone

The summer season now ending has been marked, politically, by the exacerbating of the relations between the two major Portuguese parties who, in consecutive public statements, sought to condition and set the pace for the political rentrée, simulating a situation of impending conflict.

 

The state budget is presented as the immediate cause of the melee, but truly what is at stake is the leadership of the political agenda for the next - and crucial - months.

 

In this game between Passos Coelho and Socrates both bet the other will retreat into their demands, thus yielding the political 'high ground'. If both cling to their positions that will mean that the State budget will be rejected - and the country run on a monthly basis - and that until next summer the mechanisms to clarify the current political situation would only pass by the Parliament, where the government could provide a motion of confidence or the opposition a motion of censure, as there is an impossibility of dismissing the parliament and set early elections (the President looses his rights to use these powers in 9 September, because of January 2011 presidential elections).

The scenarios post-rejection of the State Budget are interesting for political scientists and 'opinion makers', who engage to explore the possibilities of Portuguese political and constitutional system. It would also transform the dynamics of the incoming presidential elections, forcing the candidates to express their views on the conduct of political parties and the President - also a candidate - to leave his ‘shelter’ and actively intervene in political life in what could be an interesting feature; but it would also have severe adverse consequences for the country, so attentive Portugal is to scrutiny of the international financial community.

The truth is that – when regarding budgetary issues - the government has fulfilled its obligations: acceded to the wishes of Brussels to implement two stability pacts (both with the express support of the right wing PSD), and is now preparing to present the State Budget in accordance with the plan established with the European Commission. In this sense, unless Socrates want to denounce Passos Coelho 'bluff', PS has no need to submit a motion of confidence. Now the PSD, which - we repeat - agreed with the stability plan and promised to provide the necessary governmental stability until 2011 - has now to reject the State Budget if the PS does not give in to their demands, and then, if he want to be consistent, must submit a motion of confidence in the Government, presenting itself as a government alternative to Cavaco. Clearly, Passos Coelho is willing to do anything to become Prime minister but will have to arbitrarily play with the future of the country to do so?

We all remember that after the Cuban missile crisis a red phone was installed in Washington and in Moscow for to the leaders of the world could directly resolve future conflicts. Socrates and Passos Coelho are known and have the contact of each other; so, couldn’t they just call each other and solve the intricate situation in which we find ourselves? For the sake of the country?

 

 

publicado por politicadevinil às 14:48
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