Sábado, 26 de Maio de 2012

PASOK ou PSF?

A Europa viveu este fim-de-semana alucinantes dias eleitorais, com a decisão das eleições presidenciais francesas, parlamentares na Grécia, municipais no Reino Unido e regionais na Alemanha (Schleswig-Holstein).

Em todas o resultado foi o mesmo: estrondosa derrota dos defensores das medidas de austeridade.

Em França tal significou o regresso de um socialista ao Palácio do Eliseu 17 anos depois, na Grécia a hecatombe dos partidos pró-troika (socialistas gregos - PASOK - e conservadores - Nova Democracia - perderam quase 45% do votos em relação a 2009), no Reino Unido o relançamento do Labour de Ed Miliband e na Alemanha à perda de influência da CDU no pequeno Estado do Schleswig-Holstein.

Uma leitura de conjunto permite acalentar esperança na mudança do rumo da política europeia, não só pela quebra do dínamo ‘Merkozy', mas essencialmente pela esperada renovação discursiva e programática a ser introduzida por Hollande, e no desejado papel de charneira que o novo Presidente gaulês pode representar para a esquerda (europeia). Espera-se agora que daqui por um ano e meio seja a vez da senhora Merkel se despedir dos seus conterrâneos, criando as condições para que em 2014 o sucessor de Barroso seja proveniente da família do PES (Partido Socialista Europeu).

No entanto, os socialistas europeus devem aproveitar estes resultados para reflectirem sobre se se sentem mais próximos do PSF ou do PASOK, se entendem necessário continuar a pactuar - directa ou indirectamente - com a política de Bruxelas ou se pretendem contribuir para a necessária mudança de paradigma europeu, considerando para este efeito algumas das propostas provenientes da ‘nova esquerda' (como o Syriza grego), dos ‘verdes' e alguns partidos liberais, fomentando uma nova e alargada aliança de esquerdas moderadas.

É que não basta anunciar ‘mudança' em slogans e bandeiras coloridas, especialmente quando em muitos casos foram partidos socialistas os primeiros defensores de Barroso-Merkel-Sarkosy. Há que saber promover a mudança. Dentro dos Partidos em primeiro lugar, sem ter medo de romper com velhos dogmas ou interesses instalados (até porque foram estes que nos conduziram à situação actual), criticando algumas das políticas seguidas no passado recente e procurando reconquistar a hegemonia cultural e política. Depois, e em conjunto com diversas forças sociais e políticas, saber promover o tal novo paradigma de governação.

No caso português, isso significa criticar o passado de José Sócrates, o apoio a Barroso e a validação tácita do programa da Troika, procurando depois relançar o PS como alternativa política consistente, já sintonizado com os tempos de uma (desejada) nova Europa. Não o fazer, colocará Seguro mais próximo de Venizelos (líder do PASOK) que de Hollande. E se muito temos ouvido o líder do PS a prenunciar-se sobre Hollande, seria também interessante ouvir as suas impressões sobre o caso grego. Para melhor entendermos que PS podemos esperar no futuro, se um mais próximo do PSF ou do PASOK.
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José Reis Santos, Historiador

publicado por politicadevinil às 12:26
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