Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

Renovar Abril

Vivemos, 37 depois do 25 de Abril, tempos de grande inquietação e incerteza. De grandes dúvidas. Para os mais pessimistas, Portugal assiste mesmo ao fim de um ciclo, ao ‘fim da história’; enquanto outros recordarão o general que dizia a Roma que o povo Lusitano “não governa nem se deixa governar”.

Alguns argumentos terão estes críticos, afinal o nosso país assistiu recentemente à entrada em cena do FMI, que virá controlar e organizar as nossas finanças e condicionar a acção política autóctone, transformando Portugal num "país à rasca". Mas falharam, de facto, os nossos governantes, ou estaremos perante uma característica endémica do nosso povo? Ou, como bem recordava o padre Manuel Antunes, a ser governados "mais pelos nossos defeitos do que pelas nossas qualidades, mais pelos defeitos das nossas qualidades que pelas qualidades dos nossos defeitos"?

Independentemente das leituras mais negativas ou pessimistas, das teorias da conspiração internacional e dos jogos da culpabilização interna, a verdade é que hoje urge reflectir e perspectivar o estado da Nação, à luz dos recentes desenvolvimentos. É verdade que a situação da fazenda pública é gravíssima, que vivemos durante demasiado tempo acima das nossas possibilidades e que, por mais avisos que fossemos tendo, pouco ou nada soubemos fazer para alterar o rumo adivinhado.

Há culpas? Claro que sim. E estas deverão ser distribuídas por toda a sociedade, dos políticos à população em geral. Afinal, todos beneficiaram da entrada na Europa, do acesso ao crédito fácil. Portugal queria mudar de vida. Ocidentalizar-se. Desenvolver-se. Consumir. E as ambições de um país foram colectivamente partilhadas. Nas auto-estradas e nos hospitais, nas casas, nos automóveis e nos cursos universitários. Nas novas escolas e aeroportos, nas segundas casas (na praia), nos telemóveis e nos plasmas. E a todos entusiasmaram os resultados instantâneos. A todos.

E assim fomos vivendo. Durante décadas. E, como a fábula da formiga e da cigarra, não conseguimos preparar o inverno inevitável. Não conseguimos entender que o Estado, e as nossas vidas pessoais, estavam mal organizadas. Cheias de desperdícios, de ambições desmesuradas e, pior, respondiam a um estilo de vida novo-rico sem conteúdo e apenas forma. Hoje entendemos, quando já não temos dinheiro para pagar contas, que talvez o plasma seja desnecessário, ou que 5000 Freguesias sejam demasiadas, apenas para citar dois exemplos evidentes. Há que mudar de vida, novamente.

Assim, nestes dias de Abril, recordo o que já antes conseguimos imaginar. Da pujança e vontade que partilhámos. Do sonho infinito que desenhámos. Há 37 anos fizemo-lo real. Depois adormecemos, novamente. Hoje, saibamos renovar Abril, exigir mais e saber cumprir. Com rigor e competência. Nas nossas vidas privadas e colectivas.

publicado por politicadevinil às 11:32
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