Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

E agora, José?

Passadas as primeiras leituras em relação ao estado actual da política portuguesa, que só tem culpados, interessa-me apreciar o comportamento do PS e do seu líder à luz da próxima campanha eleitoral.

O PS, e o Governo, têm-se apresentado, nesta crise, quase exclusivamente como vítima. Vítimas com "sentido de Estado", e que tudo têm feito para governar o país à luz das condicionantes externas e das directrizes de Bruxelas. E serão estas as principais linhas que José Sócrates, e os socialistas, seguirão na próxima campanha eleitoral, acrescidas de ataques directos e pessoais à oposição e aos seus líderes.

Entende-se esta opção. É, afinal, a matriz do discurso apresentado pelo Governo neste mandato e a estratégia que menos recursos requer, necessitando apenas da intervenção de um curto conjunto de homens-fortes (homens, enfatizamos) devidamente calejados, muito marketing político e ‘spin'.

Mas teria o PS outra alternativa? Julgo que sim. O PS poderia aproveitar esta campanha para, finalmente, introduzir uma dimensão europeia, pedagógica e crítica no seu discurso, aproveitando para virar à esquerda e valorizar o conjunto de medidas progressistas deste Governo. Dificilmente venceria as próximas eleições, entenda-se, mas colocaria os socialistas mais confortáveis com a sua tradição e cultura e perspectivava um caminho no cenário pós-Sócrates.

Um discurso europeu e pedagógico permitiria explicar aos portugueses, de forma simples e entendível, quais as regras da política actual. Dizer, claramente ao eleitorado, que apesar de irmos votar para um governo nacional, parte da nossa soberania encontra-se de facto em Bruxelas, e não em Lisboa (nomeadamente nas dimensões económicas e financeiras), e que por mais que qualquer governo nacional esteja contra o Berlaymont, pouco poderá fazer para o contrariar.

Conjuntamente poderia desenvolver uma postura crítica em relação à Comissão Europeia, reconhecendo a UE como uma entidade política, movida por pressupostos ideológicos, no caso neo ou pós-liberais, e não uma instituição "neutra". Neste caso, o PS deveria aproveitar para enfatizar o conjunto de propostas alternativas desenvolvidas no campo da família socialista europeia, naturalmente realçando que o momento para este debate será em 2014, altura da eleição de um novo parlamento e governo (leia-se Comissão) europeu.

Uma posição assim crítica libertaria o PS da sua excessiva deriva ao centro e à direita e permitir-lhe-ia, novamente, apresentar-se como de esquerda. E uma vez neste campo, poderia recordar o conjunto de políticas progressistas que nos últimos anos tem promovido, em especial na área da igualdade, onde hoje Portugal se pode orgulhar de ter conseguido construir uma sociedade mais justa e tolerante, com um conjunto de leis e políticas públicas que dão exemplos ao mundo.

Naturalmente que esta estratégia é muito mais exigente que a actualmente seguida pelos socialistas. Requeria mais protagonistas, mais conteúdo e mais partido. Condicionantes hoje escassas para a elite do Largo do Rato.

publicado por politicadevinil às 16:45
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