Quinta-feira, 24 de Março de 2011

Farsa montada

 

Depois das reacções clubistas aos eventos de ontem, o dia de hoje merece outra reflexão. Nada do que se passou surpreendeu. Este guião estava escrito há bastante tempo, por dramaturgos sem musa ou génio, liderados por autistas narcísicos, que com isto brincam com o futuro do país, como se tudo fizesse parte de uma farsa quinhentista escrita de pena vazia.

Nesta peça mal ensaiada ficamos com o papel de bobos e jograis, dançando e pulando ao som arranhado das frites da Grand Place, sem percebermos que os que os outros que nas mesas largas tem lugar marcado não largam o osso e o vinho, deixando restos e migalhas aos famintos que os entretêm. E o pior é que esses, os tais outros bem instalados, gordos e confortavelmente vestidos, nem entendem que o resto, o tal ‘Povo’, não só já está bem lixado (com ‘F’ grande), como mais lixado (com ‘F’ grande) vai ficar. É que para eles, não interessa nada a cadência da peça, a história ou a trama final. Interessa sim, e apenas, saberem que terão o papelzinho suficiente para segurarem o seu lugar à mesa de repasto.

O Rei vai nu. Já todos viram. O que motiva grandes movimentações ao redor da mesa real. Continua a clamar ter roupa nova a estrear, mas poucos são os que ainda lhe passam crédito ou cartão. Insiste e repete que tudo está como tem de estar, no seu reino minoritário O príncipe herdeiro lê e relê Maquiavel e Sun Tzu,  e todos os manuais baratos que lhe passam os seus jovens acólitos directamente saídos dos mosteiros da oposição. Está sedento de poder. Os restantes Duques, espalhados à esquerda e à direita, refastelam-se pausadamente enquanto deitam miradas uns aos outros, olhando de soslaio, e discretamente, para os jograis que procuram lhes chamar a atenção. Estes Duques nada querem que mude, ou quando querem é para que tudo fique na mesma. Cospem e riem quer para o Rei quer para o Príncipe herdeiro, esperando que estes os vejam como iguais e potenciais parceiros de trama.

O resto que se lixe. O resto, o ‘Povo’, para eles, lá saberá continuar a pular e dançar, à volta dessas mesas largas de lugar marcado e sem cadeiras vazias, tudo fazendo para sacar mais um ou outro desperdício que com todo o cuidado guardará para mais tarde comer. E para os que estão sentados no lado certo da mesa tudo está certo e correcto, pois é esta a ordem natural do universo.  Esquecem-se é que um destes dias os jograis deixarão de tocar a sua música, os bardos lhes irão arrancar as roupas do pelo, enquanto todos os expulsam, a pontapés e socos, das cadeiras forradas onde há anos sentam os seus cus. E esses dias já estiveram bem mais longe... 

 

publicado por politicadevinil às 21:58
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